01/06/2014

Heartbeat




Ainda me lembro de tudo  como se fosse ontem. Lembro-me de ter passado uma semana cheia de náuseas, enjoada e a vomitar. Lembro-me de ter marcado uma consulta e o médico anunciar a minha gravidez. Lembro-me do sorriso parvo do Eric quando ouviu a novidade, não estávamos à espera. Mas ficámos mais que felizes.
Eu ia ser mãe pela primeira vez, era uma experiência única. Ia ensinar a essa criança tudo o que sabia da vida, tudo o que aprendi, ia transformá-la numa verdadeira mulher, ou num verdadeiro homem.
Começámos a planear tudo, o quartinho, as roupas, essas coisas. Estávamos muito entusiasmados.
Os meses passavam, a barriga crescia. Tinha um pequeno coração, uma vida ao meu cuidado. Era uma menina que crescia dentro de mim. E eu estava super ansiosa por conhecê-la.
O dia chegou, finalmente. Cheia de contrações e dores fortes, estava eu deitada na maca com vários médicos à minha volta. E o Eric ali, super nervoso. Senti o bebé sair, mas não ouvi o seu choro. Estava demasiado cansada mas ainda consegui ouvir o médico dar uma palmada à criança, e logo a seguir levaram-na. Tentei gritar para que ma trouxessem, eu queria tanto vê-la, mas não consegui reagir. Tentei olhar em volta, já quase sem sentidos à procura do Eric, mas ele não estava ali. Então apaguei.

Soube que a minha filha morrera após o nascimento, devido a uma doença respiratória grave e rara. Segundo eles não havia mais nada a fazer. Deixara-me vê-la. O seu rostinho pequeno e frágil, estava roxo e gélido. Chorei ali durante horas, não a queria largar nunca, nunca mais.
Acho que perdi uma parte de mim para sempre. Esperei 9 meses para que a minha menina se fosse embora assim, sem mais nem menos. 

Depois disso, eu e o Eric separá-mo-nos por um tempo. Ele achou melhor assim, estava tão abatido como eu. Deixou-me quando eu mais precisava de força e apoio.

Hoje, 2 anos depois, é dia 1 de Junho, dia da Criança. E eu estou sentada no quartinho rosa da minha menina, segurando um dos seus ursinhos de peluche, olhando pela janela. Hoje seria o seu aniversário.
Lá fora o meu pequeno Thomas corre, brincando com o pai. 

Limpei a lágrima atrevida que queria escorrer no meu rosto  levantei-me, fechando a porta lentamente.

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