25/05/2014

O beijo da morte.


Voltei a molhar as mãos e passei-as novamente pelo meu rosto.Sentir a àgua fria na minha pele era a única coisa que me fazia sentir viva. Sentei-me recostada à parede fria e húmida daquela casa de banho escura e remexi a minha pequena bolsa na esperança de encontrar um último cigarro. E encontrei. Acendi-o satisfeita. Ainda tremia, mas não estava arrependida de nada.
-Este é o teu novo esconderijo? - Ele tinha-me encontrado.
-Deixa-me Bruno.
-Sabes que isso nunca vai acontecer. - Ele disse, triunfante.
-Desaparece.
Bruno caminhou para junto de mim e sentou-se ao meu lado. Não reagi.
-O que aconteceu desta vez Aly? Ele bebeu de mais outra vez?
-Antes fosse só isso.
Ele olhava fixamente para mim, na esperança que lhe respondesse. Estava tudo escuro, mas eu conseguia perceber.
-Os teus irmãos estão bem? E a tua mãe? Ele não lhes bateu pois não?
Acenei negativamente.
Silêncio. Levantei-me, preparando-me para ir. Porém deixei o meu braço descoberto sem querer, e graças à fraca luz que entrava por uma pequena janela, Bruno não passou despercebido.
-O que é essa mordida no teu braço Aly? - Ele agarrou-me o braço para analisar melhor - Diz-me!
O nervosismo voltou e não aguentei. Os pensamentos e imagens ainda bem recentes voltaram a assombrar-me a cabeça e entrei novamente em pânico. Os meus olhos encheram-se de lágrimas. Ele prontificou-se a abraçar-me, com força.
-O que aconteceu? Deixa-me ajudar-te miúda.
Afastei-me e baixei o rosto.
-Aly...
O cigarro já estava no fim. Atirei-o a chão e espezinhei-o.
-Eu matei-o.
Levantei a cabeça com receio, com medo do que ele pensaria de mim naquele momento. Ele olhava para mim perplexo, sem pronunciar qualquer palavra Iria denunciar-me?
-Eu tive que o fazer! Ele, ele ia tocar-me! O meu padrasto queria ter sexo comigo à força toda, e eu não quis! Estávamos só nós os dois em casa... Então ele bateu-me, e bateu-me, e bateu-me... E gritava vezes sem conta que me iria matar! Eu tive que escolher entendes? Ou era eu, ou era ele... - eu gritei desesperada entre soluços e lágrimas. Bruno olhava para mim chocado.
-Sou uma assassina eu sei! Vais denunciar-me?
-Onde está o corpo?
-O quê?
-Eu perguntei-te onde está  corpo?
-Ainda está lá...
-Então temos que nos despachar, temos que desaparecer com ele.
-O quê?
-Confia em mim, vai tudo correr bem.
Ele puxou-me pelo braço e abandonamos aquela casa-de-banho escura, fria e húmida a correr, rumo à minha casa.

5 comentários :

  1. História muito bem estreturada. Ao ler, os sentimentos da rapariga transparecem em nós. É uma escrita muito agradável, de fácil leitura e interessante. Aconselho-te vivamente a continuar a escrever e a seguires uma área pela qual possas crescer ainda mais como escritora.

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  2. Olá :D
    Hoje, estou pela primeira a ver o teu blog e estou a gostar bastante :o
    E acabei mesmo agora de ler este post e gostei imenso, omg até da vontade de ler mais :o
    Continuaaa a sério s2

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    Respostas
    1. Omg muito obrigada linda, fico muito feliz por saber que gostas *o* <3

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  3. De nadaaa ahah gostei mesmo :')

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